21-11 | Série Revista Isto É – Sob as asas dos pais

Filhos de brigadeiros so contratados para trabalhar em empresa que mantm negcios milionrios com a Fora Area Brasileira

Claudio Dantas Sequeira

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CAMARADAGEM
Juniti Saito, comandante da Aeronutica, o brigadeiro Burnier e seu filho
Gilbertinho (da esq. para a dir.): relao prxima com a empresa israelense AEL

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Nos ltimos meses, a empresa israelense AEL Sistemas, fabricante de componentes aeronuticos, passou a contar, em seu quadro de funcionrios, com oficiais da ativa e filhos de integrantes da alta cpula da Fora Area Brasileira. Detalhe: a AEL mantm negcios milionrios com a Aeronutica, que dispensou a licitao para a contratao de seus servios. Conforme apurou ISTO, jovens recm-formados e sem experincia na rea passaram a ocupar cargos estratgicos na companhia israelense. O caso mais flagrante envolve um nome de peso, o brigadeiro Gilberto Antonio Saboya Burnier, que foi secretrio de Poltica, Estratgia e Assuntos Internacionais do Ministrio da Defesa e, at se aposentar em abril, era comandante de Operaes Areas da FAB. Burnier considerado o mentor do programa de modernizao da Fora Area e brao direito de Juniti Saito, atual comandante da Aeronutica. No mesmo ms em que passou para a reserva, seu filho, que tem o mesmo nome e apelidado de Gilbertinho, foi contratado pela AEL como analista de compras da empresa. O departamento onde trabalha responsvel pelas aquisies de materiais de alta tecnologia que acabam empregados nos sistemas de gerenciamento da frota da FAB. O filho de Burnier formou-se em administrao numa faculdade particular de Braslia h apenas um ano e trabalhava, at ento, em um escritrio de arquitetura.

As novas denncias confirmam reportagem publicada por ISTO no incio do ms, que revelou os benefcios obtidos pela AEL em contratos sem licitao com a FAB. Isso aconteceu, segundo relatrio de inteligncia da Polcia Federal, depois que a companhia admitiu entre seus diretores um cunhado do comandante Juniti Saito, o coronel reformado Luiz Pond. Em nota, a FAB alegou que o militar da reserva foi contratado por sua experincia no setor nada a ver, portanto, com o vnculo familiar. Agora se sabe que Pond no foi um caso isolado. Levantamento feito pela reportagem mostra que a AEL, cujo faturamento cresceu 150 vezes entre 2003 e 2011, perodo que coincide com a gesto Saito, se tornou porto seguro de interesses particulares do comando da FAB.

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O conflito de interesses fica mais evidente pelo fato de o prprio brigadeiro Burnier ter cargo na empresa. Em maro de 2011, quando ainda estava na ativa, ele ganhou assento no conselho diretor consultivo da companhia, com poder para opinar nos planos estratgicos. No se sabe quais critrios balizaram a escolha dos membros do conselho, mas a ata da assemblia de acionistas indica ainda a nomeao do general Darke Figueiredo, que vem a ser assessor especial do senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). A nomeao de Darke na AEL ocorreu um ms depois de Collor assumir a presidncia da Comisso de Defesa do Senado, responsvel por apreciar projetos de interesse do setor, como subsdios para a indstria blica. O documento aprovado na assembleia estabelece remunerao aos conselheiros e diretores, mas no especifica valores.

No rol de contrataes da AEL tambm est a de Bruno Baptista, 27 anos. Ele filho do brigadeiro Carlos Baptista Jnior, presidente da Copac, a comisso da FAB responsvel pela concorrncia bilionria para a compra de caas de combate (programa F-X2). Na AEL, Bruno, que estudou no colgio militar e estagiou no setor comercial de uma emissora de tev na capital federal, ganhou um cargo no departamento de marketing. Na lista de apadrinhados consta tambm o nome de Gabriel Bermudez, filho de outro brigadeiro do Alto Comando, Antonio Moretti Bermudez, que foi chefe da comunicao social da FAB e, em abril, assumiu o Sexto Comando Areo Regional, em Braslia, numa cerimnia repleta de homenagens a Burnier e Saito. Gabriel concluiu o curso de engenharia eltrica na Universidade de Braslia em 2008, estagiou na Aneel e trabalhava numa empreiteira at ganhar o cargo de engenheiro de software na AEL. Em seu currculo, ele se diz usurio avanado de internet, com grande experincia no uso do Windows e do pacote Office. Relata alguns cursos bsicos de programao insuficientes, por definio, para aplicao em projetos avanados de aviao militar. O filho do brigadeiro atua no projeto de modernizao do avio de transporte C-95 Bandeirante, outro xod da dupla Saito-Burnier.

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O programa de modernizao, que consistiu basicamente na instalao de um cockpit digital num avio com 40 anos de idade, foi alvo de crticas dentro da prpria FAB. Segundo informaes do Portal da Transparncia, a AEL j faturou dos cofres pblicos R$ 180 milhes. Em 2003, ela havia conseguido pouco mais de R$ 300 mil em contratos governamentais. Esse valor saltou para R$ 2,8 milhes no ano seguinte e chegou a R$ 53,7 milhes em 2011. At agosto deste ano, j foram R$ 30 milhes. Questionada por ISTO, a AEL preferiu no se manifestar. O gabinete de Collor informou que Darke estava viajando. A FAB, por sua vez, disse que informaes relativas a funcionrios devem ser prestadas pela empresa. Alegou que a participao de militares no conselho diretor da AEL importante para resguardar os interesses estratgicos dos programas militares ligados soberania nacional.

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EMPREGO NOVO
Filho de brigadeiro responsvel por projeto bilionrio, Bruno Baptista
foi contratado pela AEL mesmo sem experincia

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